Pra quem duvidava, aqui estão as imagens que mostram o amiguinho pagando um mico legal e as baquetas que me salvaram.
Jan 24, 2008
Jan 22, 2008
Salvo pelas baquetas
E por onde começar?
Tava vendo o blog e o último texto postado. Não dá pra acreditar como o tempo passa rápido e como as coisas aqui mudam numa velocidade incrível. Calma nem é tão emocionante assim. Só é rápido e tem coisas que nunca mudam. Como por exemplo, as músicas do restaurante que trabalho. Agora estamos numa fase “Djobi Djoba” a lá Gipsy Kings. O cd toca no repeat durante todo o dia. O dono do restaurante tem um ipod de 80 gigas que só toca as mesmas músicas. Pra quê? Alguém avisa? Eu mesmo já gravei uns cd’s com várias coletâneas de sambas brasileiros. Cartola, Adoniran, Elza Soares, Martinho da Vila, Zeca Pagodinho, só coisa de primeira e também algumas tranqueiras pra zoar. Claro. Lembra do Kaoma – Lambada: "chorando se foi...". Ideiazinha infeliz, pois foi exatamente nessa que o cara pirou.
Pra ter uma idéia era tocada no mínimo dez vezes ao dia. Nem os Poloneses, que trabalham lá, suportavam mais. Ele gosta tanto da música que colocou no celular como ringtone. Isso faz você desgostar de qualquer música até mesmo de coisas boas. A Beth Carvalho, pobre Beth, mal sabe ela que a música: “…e o povo como está? Tá com a corda no pescoço..” , virou mais um ringtone e campeã de execução. . Vou dar um jeito de executar essas músicas do ipod da firma.
Nesses quatro meses que fiquei lavando pratos deu tempo pra pensar muito na vida e criar alguns pensamentos inúteis.
“ Trabalhar na cozinha de um restaurante é como se você estivesse num almoço de família, com todos os tios e primos malas e a louça ainda sobrasse pra você.”
“Definitivamente todo prato que sai volta. Sujo. E você é quem tem que lavar!”
Foi exatamente em meio a esses devaneios tolos que o meu destino começou a mudar, caro amigo.
Numa tarde estava eu lavando meus pratinhos quando fui convidado para participar de um festa da firma. Seria uma despedida de umas garçonetes uruguaias que trabalhavam com a gente. Com cerveja na faixa (aqui até em casamento se paga a cerveja) Demogô! Tô dentro!
O Baile tava animado, os amigos da firma pela primeira vez tinham deixado a senzala e ido pra casa do senhorio. Cheguei na mimi, mas na segunda pint já pagava de gatinho. Quando dei por mim expulsei o cubano, que dava um truque na percussão, e assumi o batuque da parada. De lá ninguém me tirou. Mantive, ou quase manti, a dignidade e segurei a onda até o fim. O chef de cozinha e dono do restaurante estavam empolgados com a baianidade nagô e certa altura vieram falar que não imaginavam que eu sabia tocar percussão. Acho que eles nunca tinham reparado na senzala. Porque sempre batuquei nas panelas e na pia da firma, que dá o maior sonzão. Certa altuma eles foram sair pra fumar (aqui não se fuma em lugar fechado) e me chamaram pra conversar.
Me convidaram pra tocar aos sábados e ainda ganhar por isso. Topei na hora.
Não satisfeito enchi o peito e lancei: I wanna be a chef. E, para minha surpresa, a resposta foi positiva. Comecei meu treinamento na semana seguinte.
Hoje assumi a reponsa e seguro a cozinha sozinho enquanto o outro chef não volta de férias.
No último sábado cozinhei mais de oitenta quilos de comida durante onze horas.
Quer saber como é o Havana? veja o vídeo abaixo.
Obs: Eu ficava lá fundo e hoje trabalho na cozinha que não aparece no vídeo. Ela fica em cima e mandamos a comida pra baixo
O cubano que dá um truque na percussão aparece de relance no vídeo. O cara tem pinta que toca, mas é golpe.
Abaixo uma foto de um dos pratos que mudei no cardápio. Batata gratinada.
Tava vendo o blog e o último texto postado. Não dá pra acreditar como o tempo passa rápido e como as coisas aqui mudam numa velocidade incrível. Calma nem é tão emocionante assim. Só é rápido e tem coisas que nunca mudam. Como por exemplo, as músicas do restaurante que trabalho. Agora estamos numa fase “Djobi Djoba” a lá Gipsy Kings. O cd toca no repeat durante todo o dia. O dono do restaurante tem um ipod de 80 gigas que só toca as mesmas músicas. Pra quê? Alguém avisa? Eu mesmo já gravei uns cd’s com várias coletâneas de sambas brasileiros. Cartola, Adoniran, Elza Soares, Martinho da Vila, Zeca Pagodinho, só coisa de primeira e também algumas tranqueiras pra zoar. Claro. Lembra do Kaoma – Lambada: "chorando se foi...". Ideiazinha infeliz, pois foi exatamente nessa que o cara pirou.
Pra ter uma idéia era tocada no mínimo dez vezes ao dia. Nem os Poloneses, que trabalham lá, suportavam mais. Ele gosta tanto da música que colocou no celular como ringtone. Isso faz você desgostar de qualquer música até mesmo de coisas boas. A Beth Carvalho, pobre Beth, mal sabe ela que a música: “…e o povo como está? Tá com a corda no pescoço..” , virou mais um ringtone e campeã de execução. . Vou dar um jeito de executar essas músicas do ipod da firma.
Nesses quatro meses que fiquei lavando pratos deu tempo pra pensar muito na vida e criar alguns pensamentos inúteis.
“ Trabalhar na cozinha de um restaurante é como se você estivesse num almoço de família, com todos os tios e primos malas e a louça ainda sobrasse pra você.”
“Definitivamente todo prato que sai volta. Sujo. E você é quem tem que lavar!”
Foi exatamente em meio a esses devaneios tolos que o meu destino começou a mudar, caro amigo.
Numa tarde estava eu lavando meus pratinhos quando fui convidado para participar de um festa da firma. Seria uma despedida de umas garçonetes uruguaias que trabalhavam com a gente. Com cerveja na faixa (aqui até em casamento se paga a cerveja) Demogô! Tô dentro!
O Baile tava animado, os amigos da firma pela primeira vez tinham deixado a senzala e ido pra casa do senhorio. Cheguei na mimi, mas na segunda pint já pagava de gatinho. Quando dei por mim expulsei o cubano, que dava um truque na percussão, e assumi o batuque da parada. De lá ninguém me tirou. Mantive, ou quase manti, a dignidade e segurei a onda até o fim. O chef de cozinha e dono do restaurante estavam empolgados com a baianidade nagô e certa altura vieram falar que não imaginavam que eu sabia tocar percussão. Acho que eles nunca tinham reparado na senzala. Porque sempre batuquei nas panelas e na pia da firma, que dá o maior sonzão. Certa altuma eles foram sair pra fumar (aqui não se fuma em lugar fechado) e me chamaram pra conversar.
Me convidaram pra tocar aos sábados e ainda ganhar por isso. Topei na hora.
Não satisfeito enchi o peito e lancei: I wanna be a chef. E, para minha surpresa, a resposta foi positiva. Comecei meu treinamento na semana seguinte.
Hoje assumi a reponsa e seguro a cozinha sozinho enquanto o outro chef não volta de férias.
No último sábado cozinhei mais de oitenta quilos de comida durante onze horas.
Quer saber como é o Havana? veja o vídeo abaixo.
Obs: Eu ficava lá fundo e hoje trabalho na cozinha que não aparece no vídeo. Ela fica em cima e mandamos a comida pra baixo
O cubano que dá um truque na percussão aparece de relance no vídeo. O cara tem pinta que toca, mas é golpe.
Abaixo uma foto de um dos pratos que mudei no cardápio. Batata gratinada.
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