Tava de passagem e dicidi escrever aqui. Faz muito tempo que não atualizo os casos, caos e as coisas de vários tipos que têm acontecido aqui. Diria que passei por um processo “zen budista” desde o começo do ano até meados de Abril. Muita concentração e trabalho para atingir as metas. O inverno aqui é triste. Cansa. Não acaba nunca. E o maior problema é que não temos muitas opções de coisas pra se fazer durante o dia. Apenas pub, pub e pub. Ninguém se arrisca a visitar um parque de árvores secas e grama gelada.
Durante o inverno fiquei branco. Virei Michael Jackson. Não tinha marca de cueca e meu pau era da mesma cor do meu braço. Feião. Mas isso já são águas passadas. O sol tem aparecido por aqui e posso, após seis meses, sair de só de camiseta na rua (claro que sempre carregando um moletom).
O Clima nesse país é louco, bêbado. Podemos em apenas um dia viver, literalmente, as quarto estações. Outro dia nevou e fez sol no mesmo dia. Assim não dá! Avisa lá!!
Aproveitando que hoje tô meio sangue no zóio…
E esses gringos que me chamam de Cristiano?
São algumas pessoas da escola e do trabalho. Já tentei ensinar Kiko, mas eles não entendem o porquê, acham difícil e insistem com Cristiano. Ainda é aquele “Cruistiánoooo” de gringo, saca?
Morte!
No trabalho realmente assumi esse personagem: o Cristiano.
O Cristiano é literalmente o retrato fiel de um baianinho dos anos 80.
Cara de sofrido, mandioca e meio propositalmente louco e desentendido. Faço isso pra me livrar das tarefa mais árduas.( se é que podia piorar )
Dava um migué. A Thais Mozer que me ensinou isso. Ela disse que se você se faz de louco as pessoas passam a ter medo de você e te respeitam mais. Funciona. O Fato e que nos últimos três meses pedi pra sair da cozinha e passei a trabalhar como garçom.
Tava muito puxado esse lance da cozinha. Nas sextas e sábados cozinhava sozinho cerca de 80 quilos de comida por dia.
Trabalhar como garçom é melhor pra praticar o inglês e ainda tem as gorjetas que redem uma boa grana.
Acho que ser garçom é pior coisa que eu já fiz na vida. Não porque o trabalho seja ruim. É que sou ruim mesmo.
Outro dia fui recolher os pratos de uma mesa e enfiei o dedo num palito de dentes que tava no prato. Sangrou, o cliente viu. Ridículão. E a vontade que dá de puxar um cadeira e ficar ali na mesa trocando uma idéia.
Esse negócio de Cristiano me cansou. Eu não me chamo Cristiano!
Coisas de vários tipos
Saiu no Jornal:
A Irlanda precisa de mais clínicas de reabilitação.
As que existem não são suficientes para o número de drogados existentes no país.
No fim do ano passado a principal Top model irlandesa morreu de overdose.
Há cerca de dez anos medidas radicais tiraram a Irlanda do ranking dos países recordistas em acidentes de carros motivados pelo consumo de álcool. As pessoas respeitam mesmo. Quando vou atender a mesa sempre vejo os clientes perguntarem entre si quem está dirigindo. Para esse é servido coca cola, para os outros cerveja e o que mais de álcoolico tiver na casa. Como bebem esses irlandeses. Claro que no meio de um milhão de pessoas que respeitam a lei tem sempre o Zé pinguinha que não resiste a tentação e toma uma pra segurar a tremedeira . Para eles existe o bafômetro de bolso (foto ao lado). Trata-se literalmente de um bafômentro vendido em farmácias para você saber se ainda pode voltar pra casa com dignidade ou se está a beira de lamber o chão. Porque, meu amigo, aqui não tem essa. Não interessa sexo e nem idade. Se é pra beber, é pra beber direito. Até cair.
